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Lunar leva pesquisas sobre podosfera e “Cartas Lunares” ao Alcar Sudeste

18 de jun.
2 min de leitura

Trabalhos de Andriolli Costa com Daniela Machado e Paula Gorini discutem circulação do conhecimento e memória nos podcasts.


O Lunar participou do 9º Encontro Regional Sudeste de História da Mídia, realizado nos dias 28 e 29 de maio de 2026, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A participação reuniu pesquisas sobre as relações entre produção sonora, conhecimento e memória.


Podosfera: conhecimento e participação


No GT História da Mídia Sonora, Daniela Sequeira Machado e Andriolli de Brites da Costa apresentaram “Cultivando a Podosfera — Conhecimento e Conexão em Mídia Sonora”. O trabalho investiga os significados do termo podosfera e sua trajetória histórica, discutindo o espaço de relações entre produtores e ouvintes de podcasts.


A pesquisa recupera conceitos como o de noosfera para refletir sobre a origem dessa ideia e sobre o conhecimento que circula na mídia sonora. Em seu relato sobre o encontro, Daniela destaca uma questão que atravessou as discussões: quem participa dessa construção e quais vozes encontram espaço nela?


A sessão também reuniu pesquisas sobre podcasts esportivos, autenticidade, divulgação científica e narrativa. O debate sobre desigualdades de gênero e raça entre apresentadores dialogou com as perguntas do trabalho sobre participação e circulação de vozes na podosfera.


“Cartas Lunares”: da escrita ao arquivo sonoro


No GT História da Mídia Digital, Paula Gorini e Andriolli Costa apresentaram “O Podcast como Arquivo de Si — Um Relato de Experiência do Projeto Cartas Lunares”. O artigo aborda o podcast como uma forma de registrar e compartilhar memórias, preservando também as vozes, as interpretações e os sons que acompanham as histórias.


O relato parte da oficina de Roteiro Criativo para Podcast ministrada pelos dois professores no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro. Ao longo de quatro encontros, os participantes experimentaram a escrita de cartas como caminho para a criação de narrativas. Um quinto encontro, no estúdio do Lunar na Uerj, foi dedicado à gravação.


Os exercícios exploraram diferentes perspectivas: a apresentação de si para outra pessoa; o olhar de um objeto ou animal; uma carta escrita do ponto de vista de uma inteligência artificial; e o diálogo entre a infância e o presente. Cada encontro combinava sensibilização, escuta de referências e escrita com leitura coletiva.


Na passagem para o áudio, as cartas foram interpretadas, editadas e sonorizadas, formando uma antologia conduzida pela apresentação de Bruna Sebollela. A experiência individual ganhou, assim, uma forma compartilhada com os ouvintes.


O artigo propõe pensar o podcast como uma cápsula do tempo: além dos acontecimentos narrados, a gravação conserva modos de falar, emoções e rastros do contexto em que foi produzida. Também discute como esse arquivo resulta de escolhas — o que cada participante deseja contar, preservar ou reelaborar ao transformar sua experiência em narrativa.



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