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Radar Lunar: Vida Analógica; Entre Química e Cachos e Fala, Bicho!

1 de set.
4 min de leitura

“Vida Analógica” leva o debate sobre inteligência artificial no jornalismo à fita cassete


O jornalista Rodrigo Alves estreia em 1º de setembro a série “Vida Analógica”, uma produção do podcast “Vida de Jornalista” que investiga o impacto das tecnologias na profissão. Serão quatro episódios, publicados quinzenalmente às terças-feiras, com histórias, conversas e reflexões sobre inteligência artificial e a dependência das grandes empresas de tecnologia.


A investigação começa pelo próprio modo de produzir. Segundo Alves, toda a gravação e a edição foram realizadas em fita cassete, sem recursos digitais nessas etapas. A circulação acontece nas plataformas de podcasts, por onde os ouvintes poderão acompanhar a experiência.


A escolha sugere uma pergunta que atravessa a proposta: o que acontece com o trabalho jornalístico quando ferramentas incorporadas à rotina deixam de estar disponíveis? Ao recorrer à fita, a série cria uma situação concreta para pensar os hábitos de produção e a relação dos profissionais com as tecnologias que utilizam.


O cuidado com os materiais também aparece na identidade visual. Em publicação sobre o lançamento, Rodrigo explicou que as artes foram feitas à mão, sem imagens geradas por inteligência artificial. Até o carimbo que aparece na composição foi produzido com um carimbo físico.


O anúncio acompanha os oito anos do “Vida de Jornalista”, projeto dedicado aos bastidores e às experiências de quem trabalha com informação. A nova série mantém esse interesse pela prática profissional e o aproxima de uma discussão sobre as condições em que o jornalismo é produzido e distribuído.


O trailer de “Vida Analógica” também convida os ouvintes a escrever cartas para o programa. As correspondências podem ser enviadas à Caixa Postal 37029, CEP 22640-972, no Rio de Janeiro. Rodrigo assina a idealização, a produção, a apresentação e as artes da série, que integra o catálogo do “Vida de Jornalista”, integrante da Rádio Guarda-Chuva.


Griô estreia “Entre Química e Cachos” com investigação sobre cabelo, ciência e identidade


O podcast “Entre Química e Cachos”, da Griô Podcasts, tem estreia marcada para 2 de setembro. Conduzida por Caio Cavalcante dos Santos, fundador da produtora, a produção investiga a ciência, as promessas e os padrões de beleza envolvidos na relação das pessoas com seus cabelos, com atenção às experiências de quem tem fios cacheados e crespos.


O trailer apresenta dois eixos de investigação: a capacidade da química de transformar o cabelo e a influência da indústria sobre aquilo que as pessoas desejam para a própria aparência. A proposta aproxima o conhecimento sobre os fios das experiências de cuidado, transformação e reconhecimento de si.


Esse interesse pelas relações entre experiência pessoal e questões coletivas já orientava “Raízes”, podcast em que Caio investiga a história de sua família. A produção parte de memórias ligadas à Comunidade do Chié, no Recife, para abordar ancestralidade, resistência e pertencimento.


Em entrevista à Agência de Notícias das Favelas, publicada pelo Terra em 2022, Caio explicou que criou a Griô em 2019, junto ao podcast “Política é Massa”. O selo se tornou uma produtora voltada a histórias narradas a partir do olhar de pessoas sub-representadas na mídia, incluindo vozes negras, periféricas, indígenas e LGBTQIA+.


“Entre Química e Cachos” retoma o interesse por raízes, afeto e identidade, agora a partir do universo capilar. A aproximação permite pensar como decisões aparentemente individuais sobre a aparência se relacionam com referências familiares, expectativas sociais e discursos da indústria da beleza.


O lançamento também integra uma reorganização da distribuição. Segundo Caio, os originais da Griô passarão a compartilhar o canal que reúne o público de “Raízes”. O anúncio “Um novo começo” apresenta essa etapa e antecipa, além de “Entre Química e Cachos”, a temporada “Raízes Gaijin”. A reunião das produções no mesmo canal permite que os ouvintes encontrem novas histórias a partir de um vínculo já construído com a produtora.


“Fala, Bicho!” prepara estreia na Rio Ocean Week com episódio sobre cetáceos em Arraial do Cabo


O Laboratório de Podcasts Narrativos da UERJ, o Lunar, prepara a apresentação do primeiro episódio de “Fala, Bicho!” durante a Rio Ocean Week. A produção investiga a comunicação dos cetáceos em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, a partir do trabalho de pesquisadores e dos relatos da comunidade local.


O programa propõe compreender a relação do ser humano com o animal e do animal com o ser humano. No episódio de estreia, o encontro entre pesquisa e experiência cotidiana orienta a investigação sobre como percebemos esses animais, interpretamos seus comportamentos e construímos formas de convivência com eles.


O som ocupa um lugar central nesse campo de estudo. Conforme explica a NOAA, agência dos Estados Unidos dedicada aos oceanos e à atmosfera, mamíferos marinhos utilizam sons para se comunicar e perceber o ambiente. A escuta participa de atividades como orientação, busca por alimento e identificação de ameaças.


Essa dimensão torna a comunicação dos cetáceos inseparável das condições do ambiente em que vivem. A pesquisa sobre acústica de mamíferos marinhos mostra que ruídos produzidos por atividades humanas podem encobrir vocalizações e dificultar que os animais escutem uns aos outros. Trata-se de um contexto relevante para pensar os encontros entre pessoas e vida marinha.


Ao trabalhar com relatos da comunidade de Arraial do Cabo, “Fala, Bicho!” também volta a atenção para o conhecimento produzido na convivência com o mar. A proposta coloca em diálogo a investigação científica e as experiências de quem observa e interpreta a presença dos animais no cotidiano.


A apresentação de um piloto está prevista para a Rio Ocean Week 2026, que acontece de 17 a 20 de setembro no Museu do Amanhã e em espaços do Complexo Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro. O evento reúne debates, atividades culturais e iniciativas de pesquisa e conservação, com entrada gratuita. A realização é da MidiaMar Comunicação e da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, vinculada à USP.

 
 
 

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