Vozes em Órbita debate gênero, raça e interseccionalidades nos podcasts narrativos
GT coordenado por Aline Hack reuniu análises e relatos de produção sobre representação, memória e violência de gênero
Na manhã de 30 de setembro de 2025, o Vozes em Órbita — I Encontro Nacional de Podcasts Narrativos recebeu o GT “Gênero, Raça e Interseccionalidades no Podcast Narrativo”. Coordenado por Aline Hack, o grupo aproximou pesquisas acadêmicas e experiências de produção para discutir como essas questões atravessam as histórias contadas em áudio.
Dois trabalhos da UERJ analisaram episódios do Rádio Novelo Apresenta. Clara Cardoso dos Santos Lodrão estudou “Eu sou um deles”, a partir de questões de identidade racial, representação e subalternidade. Daniela Sequeira Machado investigou “O apagão”, relacionando memória, narrativa e performance de gênero. As duas pesquisas foram desenvolvidas em coautoria com Andriolli de Brites da Costa.
Fernanda Mariath, da Unicamp, apresentou a experiência de “Feminista in vitro”, série em produção para o podcast Mundaréu. O trabalho propõe a criação sonora como metodologia de pesquisa para discutir sexo, gênero e perspectivas feministas, antirracistas e queer na investigação com células-tronco.
Giulia Navarro, da UFF, trouxe o podcast “Vozes Invisíveis”, dedicado à violência de gênero no mundo da moda. Seu relato discutiu a repercussão de casos de agressão e o papel da mídia nas relações que envolvem essa violência.
O true crime também esteve em debate. Gisele Sobrinho Teixeira analisou a recepção de “A Mulher da Casa Abandonada”, investigando a percepção do público sobre a transformação da violência em narrativa midiática. Bernardo Demaria Ignácio Brum tomou “Praia dos Ossos” como estudo de caso para examinar o uso criativo do som e a construção de atmosferas capazes de envolver emocionalmente os ouvintes.
Os anais do GT incluem ainda “Poder e silêncio”, de Marília Duarte Dias e Rostand de Albuquerque Melo, da UEPB. O relato apresenta um podcast sobre violência política contra mulheres jornalistas no Brasil e suas relações com o silenciamento profissional e a liberdade de imprensa.
O conjunto dos trabalhos evidencia a diversidade de caminhos para investigar os podcasts narrativos: da representação de experiências pessoais à divulgação científica, passando pela criação sonora e pelas escolhas envolvidas na cobertura da violência.
Os sete trabalhos podem ser consultados nos anais do encontro. Veja também o registro do GT no Instagram do Lunar.






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