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Andriolli Costa publica capítulo sobre narrativa e inteligência artificial em Shell Game

21 de fev.
2 min de leitura

Estudo examina clonagem de voz, metajornalismo e o imaginário do duplo em podcast de Evan Ratliff.


O professor Andriolli Costa, coordenador do Lunar, assina o capítulo “Podcasting robô: narrativa, metajornalismo e o duplo não-humano em Shell Game”, publicado no livro Jornalismo sonoro e inteligência artificial: inovação, impacto, riscos e dilemas éticos. Organizada por Nélia Del Bianco e Alvaro Bufarah, a obra foi lançada pela Editora Fi em acesso aberto.


O trabalho, cuja aprovação havia sido anunciada pelo Lunar em 2025, analisa a primeira temporada de Shell Game, podcast independente criado pelo jornalista Evan Ratliff. Na produção, o repórter combina clonagem de sua própria voz com modelos de linguagem e agentes automatizados para criar uma versão digital capaz de fazer e atender ligações.


Ao longo dos seis episódios, o experimento atravessa situações como conversas com atendentes, golpistas, colegas de trabalho e familiares. A curiosidade inicial do jornalista dá lugar a inquietações sobre identidade, comunicação e os limites de delegar a uma máquina a própria presença.


A análise utiliza a Análise Pragmática da Narrativa, de Luiz Gonzaga Motta, em diálogo com os estudos de podcasts narrativos. O capítulo examina a linguagem sonora, o desenvolvimento da história e os sentidos culturais que atravessam a experiência do repórter.


Um dos eixos é o metajornalismo: a exposição dos bastidores, das decisões e dos procedimentos de apuração dentro da própria narrativa. Em Shell Game, o ouvinte acompanha tanto os testes com a inteligência artificial quanto as explicações do jornalista sobre como o programa foi produzido.


O estudo também observa o papel dos silêncios, das pausas e da trilha sonora. Esses elementos participam da construção do desconforto diante da voz sintética e ajudam a colocar em discussão a diferença entre imitar uma pessoa e compartilhar uma experiência de comunicação com ela.


A reflexão chega ao imaginário do duplo, em diálogo com autores como Otto Rank, Edgar Morin e Gilbert Durand. A réplica digital concentra promessas de eficiência, ganho de tempo e preservação da voz, ao mesmo tempo que mobiliza inquietações sobre a identidade e a finitude humana.


O capítulo integra a primeira coletânea da Rede de Pesquisa em Jornalismo Sonoro (Radiojor/SBPJor). Com 303 páginas e onze capítulos, o livro reúne pesquisas sobre as transformações técnicas, éticas e estéticas que a inteligência artificial introduz na produção e na escuta do jornalismo em áudio.



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