Roteiro - Falta. Episodio 2
- Andriolli Costa
- 13 de jul.
- 23 min de leitura

- Paisagem sonora Chácara
ANDRIOLLI
A Kívia falou que um dia estava conversando com você e você falou que seu sonho era jogar bola, né?
SONORA PAI
Era… Só que era um momento do futebol sul-mato-grossense ter caído muito de produção. E não era, assim, uma segurança o que o Operário ia me pagar, e eu dava aula no Dom Bosco, já. Era professor do Colégio Dom Bosco. E eu fiquei com medo. E aí eu desisti. Não fui.
ANDRIOLLI
Quando você falou “tá, acho que eu tenho que perseguir outro sonho”?
SONORA PAI
Quando eu casei. Quando eu casei…
- Som de apito
- Som de bola pingando
Trilha: Martin Baekkevold - Absent
NARRADOR
Oi. No episódio anterior de Falta, eu decidi usar o podcast como um caminho - ou uma desculpa - para enfrentar esse conjunto de ausências que marcaram a minha vida e que eu sempre passei por cima. E por que o podcast, você pergunta? Por que gravar e não simplesmente sentar e botar as coisas em panos limpos?
Bom, é que existe uma magia no ato da entrevista que é diferente de qualquer conversa. Tem gente que vai dizer que o gravador intimida, mas ele também é uma ferramenta confessional. Você saber que tudo o que disser será gravado é também a oportunidade de falar tudo aquilo que nunca conseguiu colocar em palavras. E deixá-las ali, cravadas no tempo.
- Som de gravador
NARRADOR
No meu caso, essa aventura toda já teria valido só pela revelação que minha irmã me fez na nossa última conversa. E que eu nunca soube. Meu pai tinha um sonho, que precisou morrer em mil novecentos e oitenta e nove. O ano em que ele casou. O ano em que eu nasci.
SONORA PAI
E aí, hoje eu não sei se eu me arrependo ou não me arrependo... Eu acho que as condições do tempo eram muito ingratas. Eu e outros tantos que tinham naquele momento... se a gente tivesse hoje, com os empresários que tem hoje, nós estaríamos na seleção brasileira tranquilamente. Muita gente...
ANDRIOLLI
Por que davam mais visibilidade para times do Sudeste?
SONORA PAI
Exatamente. Porque aqui não tinha empresário que cuidava do futebol ainda. Era muito amador, no estado. Era muito amador…
Trilha: Jon Bjork - An Abyss of Sadness
NARRADOR
Seleção brasileira. É, eu também tomei um susto quando escutei isso. Mas acho que interessa menos aqui se isso seria ou não plausível. O que importa mesmo é como o meu pai percebe o alcance dessa trajetória nunca percorrida.
Então, para entender melhor o que foi esse sonho do meu pai que ficou pelo caminho, eu precisava entender o que significava, afinal, o futebol ali, na minha terra, no Mato Grosso do Sul. E é isso que nós vamos ver no episódio de hoje.
Eu sou Andriolli Costa e este é o Falta, um podcast sobre ausências, mas que também fala sobre tudo aquilo que resta, depois que tudo mais vai embora.
Episódio dois: Como Nossos Pais...
- Paisagem sonora: Campo
NARRADOR
Primeiro, um contexto. Meu pai nasceu num hospital em Campo Grande, mas cresceu na zona rural de Terenos, a menos de cem quilômetros da capital. Ele é o mais velho de quatro irmãos - ao menos pela parte da minha vó. Edgar Eduardo, Edmar e… Marcão.
SONORA PAI
Então, na verdade, quando eu comecei a jogar, eu jogava de meia-direita. Eu era novinho, jogava de meiadireita, e eu corria muito porque a gente corria atrás das vacas, né? E não usava cavalo. Então, a gente tinha que acompanhar as vacas e por isso eu era muito veloz e tinha muita energia, muito preparo físico.
- Som de gado no curral
SONORA PAI
Eu corria atrás de vaca a tarde inteira pra botar elas no mangueiro. Então, eu corria muito, mas eu era muito burro. Um dia, tinha um campeonato na escola e não tinha goleiro de futebol de salão. E aí eu fui jogar de goleiro. E aí eu fechei o gol!
SONORA TIO DIMÁ
É que você não viveu a época que ele pegava no gol. Ele foi um baita de um goleiro, Andriolli.
NARRADOR
Aqui é o tio Dimá novamente. O irmão mais novo do meu pai.
SONORA TIO DIMÁ
O homem pegou… Aqui mesmo o pessoal carregava ele. O cara queria dar novilha para ele catar no gol, jogar os campeonatos para ele. Então assim, o pessoal falava desse Edgar, (ele) chegava no campo e os cara tudo ia correr atrás dele. O homem pegava demais, cara! O dia que ele tava na veia, no dia dele mesmo, não passava a bola. O homem pegava pênalti, pegava tudo. O bicho pegava bem, cara... Parecia um gato no gol.
- Som de corrida e chute
- Som de gato miando
SONORA PAI
E era… basicamente, eu aprendi jogando gol com o Duda, né? A gente jogava na várzea, lá tinha uma trave, um campo lá na várzea no cantinho da chácara. A gente fazia um gol e ele ficava chutando pro gol e eu ficava chutando pro gol nele às vezes, né?
SONORA DUDA
Vai, fala…
ANDRIOLLI
Qual posição você jogava?
SONORA DUDA
Cara, eu jogava no ataque. Mas eu ajudava também a treinar o time, no caso. Como eu era um dos donos do time, eu interferia nas escalações, também.
NARRADOR
Duda é o segundo filho dos meus avós. O tio sempre foi mais tímido para gravar, mas no futebol era o mais corneteiro.
SONORA DUDA
Desses jogador amador, o que eu vi ganhar dinheiro foi seu pai. Ele ganhou uma novilha pra jogar num time. Um dos times mais ruim aqui da Colônia. Conseguiu dar um campeonato pros caras na disputa de pênaltis. Por que os cara não fazia gol, ele não tomava, aí ia para as disputas de pênalti e ele garantia.
ANDRIOLLI
Mas carneada ou viva?
SONORA PAI
Viva, viva! ele trouxe para cá, deixou aqui na chácara!
- Som de boi
PAI
Então, eu fui aprendendo a pegar no gol e a sair do gol, olhava e achava que aquilo era bacana. Então, vai, por isso que eu aprendi jogando gol. E jogava muito bem com os pés, porque eu era meia-direita antes. Então, os caras falam do Neuer, não sei o quê, que jogava… Eu jogava muito tempo daquele jeito, né? Saía com a bola dominada, driblava os atacantes e tocava para o outro sair jogando… Porque eu era meia, né? Então, jogava tão bem com a mão quanto com os pés.
NARRADOR
Essas comparações do meu pai acabam comigo. Manuel Neuer é o goleiro do Bayern de Munique. E, pelo que eu vi, é um meme da internet você falar em ativar o “modo Neuer” pra falar da performance excepcional de um goleiro.
ACERVO CAZÉ TV
Passou, de cabeça deu na frente, Wesley cruzou, Arrascaeta, pra trás, a chance… Neuer, sensacional! Contra o Flamengo, todo goleiro vira o Neuer. O problema é que ali é o Neuer. Aí complica tudo. Olha o que ele fez, irmão. Que isso? É um monstro!
ANDRIOLLI
A gente estava falando, eu e a Kívia, que hoje em dia é muito comum o cara ver o Neymar… um moleque que precisa de ascensão social, está ali fodido... Pra uma família que não tem outra oportunidade, ser um jogador de futebol é um momento de transformação. E aqui a gente tá em um outro contexto, que não é periférico, é um contexto rural. Você estava ali correndo atrás de vaca e pensando que se virasse jogador isso ia mudar. É diferente o contexto, mas acho que o sonho é próximo…
SONORA PAI
É bem próximo. Porque, assim, se a gente for olhar, acho que a maior parte da miséria do país tá no meio rural. Só é uma miséria diferente, a gente come... Só que a gente não come bem, a gente come o que tem. Mas come. Pelo menos come. E assim, as lavouras que a gente planta eram uma aventura, às vezes davam certo, às vezes davam errado…
NARRADOR
O tio Dimá tem uma frase muito direta sobre a roça, que sempre me impactou. Ele diz: “Isso aqui, Andriolli, é uma ilusão.
SONORA PAI
Eu lembro que a última lavoura que eu plantei antes de sair, foi eu e o Duda. Nós éramos sócios da lavoura. Um baita de uma lavoura.
ANDRIOLLI
Do quê?
SONORA PAI
Arroz. O arroz ele chegou, filho, de uma coisa assim, de altura. Os cachos. Um metro, um metro e meio de altura. Os cachos davam dois palmos, três palmos tranquilamente, era muito grande o arroz. Era um sucesso.
E aí, na hora da colheita começou a chover e não parou mais a chuva. A gente perdeu toda a lavoura. Toda a lavoura. Toda a lavoura... Era o nosso sonho de comprar bola de futebol, comprar camiseta. Aí eu vi que não dava certo a roça. Falei, puta merda isso aqui…
Trilha: Martin Baekkevold - Absent
-Som de pá
NARRADOR
Quem quer colher resultado precisa saber o que plantar. Só que, às vezes, esforço simplesmente não basta. Talento não basta. Sorte também não... A vida na roça ensina isso. Mas o desejo de ser jogador de futebol ainda parece um sonho muito meritocrático. Será também uma ilusão?
Para a gente entender a força desse imaginário que faz o futebol se tornar a grande alternativa de mudança de vida do norte ao sul do país - e mesmo em lugares onde o mercado futebolístico não é dos mais desenvolvidos, precisamos voltar um pouquinho no tempo.
- Som de corrida
SONORA FILIPE
O futebol, além de ser uma manifestação cultural super importante no nosso país, ainda pode ser entendido como esse elemento de identidade, esse elemento de reconhecimento e, principalmente, de ascensão social…
NARRADOR
Esse é meu colega de UERJ, Filipe Mostaro. Professor de Radiojornalismo e pesquisador de futebol.
- Som de apito
NARRADOR
Filipe nos ajuda a entender como o esporte bretão atingiu esse status todo. E isso tem muito a ver com a política de Estado de Getúlio Vargas, que nos anos trinta escolheu o futebol como uma das bandeiras para a consolidação de uma identidade nacional.
SONORA FILIPE
Então, Vargas consegue perceber que existiria um elemento de unificação ao falar assim: “Somos brasileiros e… adoramos futebol”. Independente de eu morar no Norte, no Sul, no Nordeste, no Sudeste, independente de eu ser rico ou de ser pobre. Independente se eu morar no campo ou morar na cidade…
NARRADOR
E as transmissões de rádio, um meio de comunicação especialmente importante para uma população amplamente analfabeta, ocuparam um papel fundamental nessa estratégia.
SONORA FILIPE
Porque o rádio acaba levando essas manifestações, muito urbanas de concentração de muitas pessoas, para o imaginário do campo. Então, as pessoas passam a ouvir o rádio e ter nas suas transmissões os jogos, especialmente, dos times do Rio de Janeiro, por conta da Rádio Nacional. Isso passa a criar uma identidade muito forte das pessoas.
- Som de interferência
ACERVO ARY BARROSO
Caminha Juvenal pra bola, chutou. Olha o corpo no alto atravessando a metade do campo e cai na cabeça de Bigode!
NARRADOR
Depois da rádio, claro, a televisão também seguiu profundamente sudestina. Meus tios são flamenguistas. Meu pai é tricolor. Minha avó, corinthiana. Todos da zona rural de Mato Grosso do Sul.
- Som de VHS
ACERVO TV CULTURA
campo pesado com a chuva que caiu, barro, acabou a chuteira ficando uma boca de jacaré. Descolou a sola da parte superior. Eu não podia ficar com aquilo. Então, eu tirei e joguei fora a chuteira e comuniquei ao técnico pra arranjar outra chuteira…
SONORA FILIPE
E o objeto Leônidas da Silva vai se tornar fundamental no imaginário de toda pessoa que sonhou jogar futebol algum dia e que praticou futebol, porque ele percebeu, pela primeira vez na história brasileira, um jogador que teve origem pobre, e negro, ter um reconhecimento muito similar ao do presidente da república.
NARRADOR
Leônidas, o diamante negro, foi craque do Brasil na seleção de mil novecentos e trinta e oito. Ele ficou tão famoso que o chocolate da Lacta é batizado a partir do apelido dele!
SONORA FILIPE
Eu ser jogador de futebol seria a solução para que eu ascendesse socialmente em um país que, se hoje nós temos um abismo social muito grande, nos anos 30 e 40 isso era ainda mais impactante. Através do futebol, enfim, eu tenho uma chance de me tornar alguém, como Leônidas da Silva conseguiu.
ACERVO ESPORTE FANTÁSTICO
Joclânio, 16 anos, e Porfírio, 15, moram em Caranaúba dos Dantas. Cidadezinha com pouco mais de 7 mil habitantes no interior do Rio Grande do Norte. Os adolescentes vieram até São Paulo para participar de peneiras; seletivas em times de futebol. A viagem é de quase 3 mil quilômetros…
NARRADOR
Agora, voltando para o meu pai. Eu sabia que ele tinha saído do interior para a capital logo cedo. Mas para mim, era para estudar. Para ele, era para jogar bola. Estudar era secundário.
ANDRIOLLI
Que ano que era?
SONORA PAI
Aí, filho, não lembro… Foi quando eu saí daqui e fui para Campo Grande. Eu tinha 16, 17 anos. Aí fui jogar no Comercial. Joguei por um ano lá e aí eles me deixavam sempre no banco, né? E eu não aguentei ficar no banco. Eles queriam me levar para o time de cima, mas aí ia ficar no banco, né? E eu não quis. Eu larguei mão. Fui estudar. Falei larga mão disso aí…
NARRADOR
A gente já vai falar um pouquinho sobre estes que são os dois principais times de Mato Grosso do Sul: o Operário e o Comercial. Meu pai acabou convidado para jogar nos dois. Por ora, vamos entender aqui o que aconteceu quando a primeira oportunidade bateu na porta.
ANDRIOLLI
Mas é meio que um ritual, assim? Você começa a ascender num time e fica no banco um tempo?
SONORA PAI
É, é. Eu que não soube esperar. Não soube. Não conseguia esperar porque quando eu tava treinando eu quase não tomava gol. E o outro era bem mais baixo que eu e tomava gol. Então eu fui ficando nervoso com aquilo. Não me conformava com aquela situação. E também acho que tinha um problema que ele treinava mais do que eu. Eu treinava menos, principalmente a parte física. Enquanto eles faziam muito exercício físico, eu não fazia porque eu voava. Era muito magro e acostumado a correr atrás de vaca, então não cansava nunca. E os caras precisavam de muito preparo físico. Só que eu errei, eu devia ter treinado para a musculatura e tal.
NARRADOR
Em resumo. Meu pai se achava melhor que os outros.
ANDRIOLLI
Então você foi ansioso?
SONORA PAI
Fui ansioso. Fui intempestivo. Eu não conseguia ser banco, porque eu achava que era bom demais.
- Som de torcida
NARRADOR
É… quantas vezes eu não me vi assim também. Para falar apenas da carreira, só eu sei o quão frustrado eu já me vi por não atingir os objetivos que eu via outras pessoas conquistando. Que importa se eles tinham cinco, dez anos de carreira a mais do que eu. Que importa se eles estivessem colhendo agora o que eu estava começando a plantar. Nisso a gente sempre tenta achar um responsável, alguém pra botar a culpa. Mas às vezes é só o trabalho que ainda não amadureceu.
SONORA PAI
Logo depois que eu cheguei, o presidente, presidente do Comercial... Não, era um diretor de esportes do Comercial, que era o Petronílio Rosa Pires. Era um cara muito bom, muito inteligente, tinha uma fazenda ali embaixo. Ele morreu. E ele era meu padrinho.
ANDRIOLLI
Padrinho?
SONORA PAI
Padrinho de me levar para jogar no Comercial. E aí, com a morte dele, ficou muito ruim o espaço... Eu fiquei também um pouco chateado, né? E perdi o espaço lá dentro. Mas é realmente a gente às vezes... a gente quer antecipar as coisas, né? Quando as coisas têm sempre o tempo certo de acontecer ou de não acontecer.
NARRADOR
E quantas vezes você também não agiu assim? Tudo bem… A gente vive antecipando resultados. Quer o reconhecimento antes do trabalho consolidado, quer a promoção antes da experiência, quer a resposta antes da pergunta terminar de ser feita. Existe uma ansiedade crônica que nos convence de que esperar é perder tempo. Só que tudo o que importa… demora. Exige tempo. Dedicação.
Assim é com a nossa carreira, com nossos namoros, casamentos e, por que não, com as relações entre pais e filhos. Talvez uma das coisas mais difíceis de aceitar seja que nem sempre estamos prontos para ocupar o lugar que imaginamos merecer.
ACERVO BF ESPORTIVO
Apita o árbitro, é fim de primeiro tempo no Morumbi! Terminou a primeira etapa, mas fique ligado porque começa agora a hora do recreio. Uma pausa na partida para o pipi dos jogadores e o balanço do primeiro tempo.
- Som de bola
NARRADOR
Historicamente, os grandes times da capital são o Operário e o Comercial. O primeiro surge em mil novecentos e trinta e oito, a partir dos trabalhadores da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.
- Som de trem
NARRADOR
Já o segundo, nos anos mil novecentos e quarenta, por comerciantes locais e estudantes do colégio Dom Bosco - mais ligado às elites da cidade. A oposição era quase inevitável.
ANDRIOLLI
Qual que é o nome do Fla-Flu do Comercial e Operário. Tem?
SONORA KISHÔ
Ah, é o Comerário! Legal!
ANDRIOLLI
Você se lembra de algum que você cobriu assim que foi impactante?
SONORA KISHÔ
Faz tempo que eles não se enfrentam, né?
ANDRIOLLI
Ah, é! Um está na Série B, pô…
NARRADOR
Para entender melhor o contexto do futebol sul-matogrossense, eu precisei falar com quem sabe. Na minha breve carreira como jornalista no meu próprio estado, trabalhei com o companheiro Luciano Shakihama. O Kishô.
ANDRIOLLI
Bom, tava perguntando: você que cobre desde 1999 futebol, né? O que você acha que mudou daquele tempo para cá?
SONORA KISHÔ
Cara, o futebol daqui foi caindo, caindo a um ponto que chegou agora, que eu acho que é o pior momento do futebol do Mato Grosso do Sul. O Operário está na Série D.
ANDRIOLLI
Série D?
SONORA KISHÔ
É, que é a última, né? Se tivesse E, estaria na E…
NARRADOR
Hoje, a situação não é boa para nenhum dos times. Operário está na Série D do Campeonato Brasileiro. Já o Comercial está na Série B, mas do regional, do Campeonato Sul-matogrossense.
SONORA KISHÔ
Infelizmente o futebol Sul-mato-grossense ele vive mais de lembrança. Tanto é que se você começar a cavucar, assim, vai lembrar do Operário de 1977. Operário de 77, Operário de 77... Olha quantos anos já tem, cara…
NARRADOR
O auge do futebol sul-matogrossense foi nos anos setenta, com a maior conquista lembrada até hoje sendo a do Operário de mil novecentos e setenta e sete. O terceiro lugar no Campeonato Brasileiro.
- Som de estática
ACERVO TV MORENA
A melhor definição do Operário de 1977 foi dada pelo jornalista Juca Kfouri. Ele diz: “Futebol não é futebol, é muito mais”. E dentro desse muito mais, o Operário de Campo Grande foi campeão brasileiro naquela noite em que derrotou o Palmeiras por 2 a 0. O time de Castilho, Manga, Escurinho e outros é a própria imagem do operário padrão”.
NARRADOR
Para complementar nossa conversa, Luciano passou a bola para outro jornalista ainda mais experiente: Laureano Secundo, que além de tudo é torcedor do Operário desde o fim dos anos sessenta.
SONORA LAUREANO
O futebol daqui, eu falo e as pessoas não gostam muito que fale isso, mas ele é meio que filho da ditadura. O futebol profissional daqui de Campo Grande... Por quê? Porque o Morenão, ele foi inaugurado no dia 7 de março de 71. Flamengo e Corinthians…
NARRADOR
Morenão é o apelido do estádio Pedro Pedrossian, o maior estádio universitário da América Latina. O nome é por conta da cidade. Campo Grande é a Cidade Morena.
SONORA LAUREANO
Isso tudo, 70 o Brasil ganhou a Copa do Mundo, né? O tricampeonato, o auge do futebol brasileiro, a ditadura tentando faturar em cima, né? Isso em todo o Brasil, né? Nos estados… Isso é projeto Médici, né? O pau comendo lá no Brasil, matando comunista e coisando, e os caras construindo estádio. E você vê, Campo Grande não tinha nem futebol profissional e tinha um estádio para 45 mil pessoas.
- Canto de torcida do Operário
NARRADOR
O futebol fez parte do Programa de Integração Nacional do governo Médici. Laureano conta que o futebol amador era muito forte na região. Mas impulsionado pelo projeto da ditadura, os times precisaram se profissionalizar.
SONORA LAUREANO
Só que o time profissional, quando profissionalizou o futebol aqui, matou o amador. Acabou.
NARRADOR
A ideia é a seguinte: a profissionalização prometia democratizar o futebol. Na prática, ela também concentrou poder. Quanto mais caro ficou jogar, menos clubes conseguiram competir. Mato Grosso do Sul, na época, ainda nem existia. O estado vai ser formado justamente em setenta e sete. Mas Campo Grande já concentrava as riquezas do antigo Mato Grosso uno. Não é por acaso que o sonho de um campeonato estadual forte acabou orbitando em torno de dois polos: Operário e Comercial.
SONORA LAUREANO
Porque Operário e Comercial eram os times que dividiam as famílias. As famílias de rico aqui. Tinha os Barbosa que eram Operário… Barbosa e mais outras, né? Mas os Barbosa eram os principais. Aí tinha os Trad, que, inclusive, tem o senador aí, o pai dele, né (Nelson Trad)? O pai, os tios dele eram do Comercial.
ANDRIOLLI
Ou seja, os políticos de renome, eles realmente torciam pelos times e se envolviam…
SONORA LAUREANO
Não, não, eram famílias mesmo, sabe? Eram fazendeiros aqui, os caras… era quase que uma disputa. O Jonathan Barbosa, que foi por muito tempo um dos cabeças, líderes do Operário… ele tá vivo ainda… Ele tava contando uma vez que eu fiz uma matéria, que era assim: “Ah, vamos contratar tanto o salário, não sei o quê”. Aí eles falaram: “bom, fulano vai pagar o salário”, era de uma família. “Aí nós temos que arrumar o dinheiro para comprar o passe” - naquela época ainda não tinha a lei do Passe, né? Depois que mudou. Então ele saía ali, por exemplo, na Rua Calógeras onde tinha umas lojas de autopeças, que eram quase tudo operarianas. Ele pegava um livro de ouro e falava: “Ó, quanto é que você pode dar?”. Ele ia coletando assim. Arrumava o dinheiro.
ANDRIOLLI
Ah, quase um financiamento coletivo. Um crowdfunding!
NARRADOR
Livro de ouro é um caderno de doações, uma prática comum entre a sociedade civil. O que não é tão comum é esse outro método que o Laureano vai contar aqui. Mas ele conta que um fazendeiro, apaixonado pelo Operário, tinha o seguinte proceder.
SONORA LAUREANO
Divisa com o Paraguai, então o contrabando rola solto por ali, né? Ele falava assim: “Não, eu vou passar um caminhão de boi”. - Passar é: ele ou vai para o Paraguai ou vem para o Brasil, né?
- Som de carro de boi
SONORA LAUREANO
Vou passar um caminhão de boi, tal dia vocês vão ter esse dinheiro. Nessa brincadeira trouxe o Jurandir, que foi bicampeão mundial, trouxe o Toninho Guerreiro. O Toninho Guerreiro é famoso, né? Ele encerrou a carreira aqui... O Liminha que jogou no Flamengo, o Luiz Carlos que jogou no Corinthians, no Flamengo. Então vieram grandes jogadores jogar aqui… o Manga! Quando o Operário foi terceiro lugar, o Manga era o goleiro. Ele saiu do Inter e veio para cá.
NARRADOR
Antes, jogar no interior era vitrine como em qualquer outro lugar. Os times circulavam por todo o país. Você tinha, então, a presença de grandes jogadores influenciando novas gerações e grandes times disputando partidas nos estádios locais, fomentando o público.
SONORA PAI
Eu via muito o Manga jogar. O Manga, ele tinha uma mão gigante. A bola ia na área, ele fazia assim... com uma mão só ele segurava a bola. Eu invejava aquilo. Eu aprendi a fazer isso. Então, as bolas que eram cruzadas na área, eu, como era muito magro e alto, eu desviava do pessoal, ia lá e com a mão só segurava, tanto com a direita como a esquerda. Uma mão só.
- Som de bola sendo segurada
Trilha: Martin Baekkevold - Absent
NARRADOR
Na época, o Campeonato Brasileiro, a chamada Copa Brasil, chegou a contar com mais de noventa times. Isso acaba com a criação da Copa União em oitenta e sete. Foi uma iniciativa do Clube dos treze, os clubes que estavamnas primeiras colocações do ranking da C-B-F
SONORA LAUREANO
Eu acho que o que matou muito o futebol do interior do Brasil foi quando teve a Copa União. Aí jogou uma turma para lá e ficou ali os 20 clubes que têm até hoje. Eu acho que ali matou o futebol brasileiro. Não sei, ali... porque ficou muito restrito a São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul…
SONORA KISHÔ
Quando teve a Copa União em 87, começou a distanciar. E aí os times de menor torcida foram para as divisões inferiores e, segundo eles, isso prejudicou muito o futebol daqui. Mas é uma visão deles, e eu discordo um pouco, entendeu? Eu acho que falta credibilidade mesmo dos dirigentes daqui. E se reflete no campo, né?
SONORA PAI
O futebol, ele funcionava no Operário, por exemplo, com um bicheiro, né? O cara era um bicheiro e ele tinha muito dinheiro. Contratava muitos dos craques e o time dele era fantástico, o time do Operário.
- Som de estática
ACERVO TV GUANANDI
Bom, ao nosso lado, seu Jamil Name, presidente do Operário Futebol Clube. Seu Jamil, o Operário começou o ano com muitas promessas. O senhor formou um bom time. No final das contas, o time ficou de fora da final do campeonato Sul-mato-grossense e agora, qual o futuro do Operário?
Jamil: Não, as promessas nós cumprimos, mas infelizmente os jogadores não corresponderam dentro de campo. E nós não podemos entrar e jogar também.
ACERVO
Foram cumpridos 23 mandados de prisão. Entre os suspeitos estão policiais civis, federais, guardas municipais e empresários. Dois deles pecuaristas influentes no estado: Jamil Name e o filho dele, Jamil Name Filho. O pai, de 80 anos, foi investigado em 2007 por supostas ligações com a máfia dos jogos de azar.
SONORA LAUREANO
Aí fazia, lembro bem, eu cheguei inclusive a cobrir... Eram uns bingos. Eles faziam uns bingos no Morenão. Eles vendiam a cartela durante a semana toda, então no domingo de manhã tinha o bingo no Morenão. Que era sorteio de carros, de, sabe?
ANDRIOLLI
Caramba!
SONORA LAUREANO
É, era tudo dinheiro… Sabe como é que é, né? Então, e o dinheiro parte ia para ele, parte ia para operário. Aí trazia jogador bom, entendeu? Contratava jogador bom... Então ficou ligado à contravenção o Operário. Muito tempo foi...
- Som de bingo
NARRADOR
Acho que aqui é importante fazer um aparte. A história do futebol sul-mato-grossense e do próprio Operário é muito maior do que a contravenção. Mas ela existiu. Assim como existiu no Rio de Janeiro com a ligação do bicheiro Castor de Andrade com o time do Bangu, para citar apenas um caso. Já quanto ao expediente de jogos de azar, para viabilizar jogadores, será que é muito diferente do que as bets fazem com esporte hoje em dia? Ainda assim, elas estão lá, estampando camisetas, anunciando na programação.
- Som de moedas
SONORA PAI
Eu tive várias chances, né? E eu, na outra vez, eu fui para jogar o Campeonato estadual e era contra o Matsubara, que era um time que eu queria jogar. Era do Paraná...
NARRADOR
Que time que você tava nessa época?
SONORA PAI
Eu tava no time de Campo Grande, era uma seleção de Campo Grande que foi jogar lá em Ponta Porã o Campeonato Estadual de Juniores.
NARRADOR
Sabe uma coisa que eu percebi fazendo esse programa e ouvindo várias vezes a entrevista com meu pai? É que não existe muito isso de oportunidade única na vida.
SONORA PAI
E eu cheguei em Ponta Porã e tive uma febre maluca e eu não consegui entrar em campo. Muita febre. Eu fui só jogar o último jogo. Era chance, era vitrine. E eu dei azar. Então não foi nesse tempo também que aconteceu. Aí perdi a chance.
NARRADOR
Até que ponto essa febre não era uma somatização de toda a ansiedade? A gente não consegue saber.
- Som de times
SONORA PAI
Apesar de comercialino, mais tarde eu fui fazer uma peneirada no Operário.
ANDRIOLLI
Ah, é?
SONORA PAI
É, joguei lá um porra, um jogo inteiro sem tomar gol, mas em compensação a bola não chegava para mim, então não conseguiram me ver, né? Porque eu armava bem a defesa e não tomava gol, fechava, mas a bola não chegava em mim. Então, os olheiros não me viram, né? Porque não enxergaram o jeito que eu organizava a defesa. Enxergavam se a bola chegava ou não para o goleiro pegar.
NARRADOR
A oportunidade vai batendo na porta e você tem vários momentos da vida para dizer “não” para os seus sonhos.
SONORA PAI
E não podia viver de aventura ou de sonho, né? E por isso que eu arrisquei ser professor, que era a única coisa que me sobrava, né? E desisti ali. Ali eu desisti.
NARRADOR
E outros inúmeros momentos para lidar com isso depois.
SONORA PAI
Tive uma outra chance, mas aí eu já tinha desistido de ser goleiro e tinha me tornado um quarto-zagueiro. Quando tava com 26 anos, surgiu a oportunidade de jogar no Operário de quarto-zagueiro. Que era o Altimar, o treinador, um cara que me conhecia do Verona, que era o time do Baianinho…
NARRADOR
Meu pai está falando de Altimar Araújo, que foi jogador do Operário e depois voltou como treinador.
SONORA PAI
E ele falou: “Olha, vai jogar com a gente”. Só que era um momento do futebol sul-mato-grossense ter caído muito de produção. E não era, assim, uma segurança o que o Operário ia me pagar. E eu dava aula no Dom Bosco já, era professor do colégio Dom Bosco. E aí eu não... eu fiquei com medo.
Aí eu fiz a proposta, falei: “Bom, se eu treinar à tarde somente, aí tudo bem”. Aí eles só consultaram e eles queriam muito que eu jogasse. Eu já tinha sido considerado o melhor quarto-zagueiro do estado, mas eles falaram, “não”. Tinha que treinar tempo integral. Só que o salário era muito baixo, então não compensava. Era um pouquinho maior do que o do Colégio, só que no Dom Bosco eu tinha segurança e lá não. E se não desse certo? E se desse errado, né? Então ficavam essas dúvidas. E eu era muito velho já. 26 anos... No futebol isso já não é uma idade mais de se aventurar, né? E aí eu desisti, também. Não fui. Foi a última chance de levar o sonho para frente, né?
NARRADOR
Engraçado perceber como a história sempre se repete. Olha esse caso do tio Dimá, quando foi chamado para jogar no profissional.
SONORA TIO DIMÁ
Aí o seu pai me levou para jogar no Tiradentes junto com eles lá. Jogamos a Taça Campo Grande, fomos vice-campeão. Aí os cara gostou de mim e já me convidou para jogar no profissional. Foi aí que eu comecei…
ANDRIOLLI
Ah, é. Você jogou no profissional?
SONORA TIO DIMÁ
No profissional! Joguei no União.
NARRADOR
União é um time criado em mil novecentos e noventa e oito, a partir da união dos times amadores da capital. Quando o tio foi jogar lá, já era dois mil e seis.
SONORA TIO DIMÁ
“Só que a gente não tem salário para pagar. Você vai ter que vir...”
ANDRIOLLI
Não tão profissional, então.
SONORA TIO DIMÁ
É, não tão profissional, porque vão assinar a sua carteira, mas não vamos pagar o salário, porque não temos condição de pagar.
ANDRIOLLI
Caramba...
SONORA TIO DIMÁ
É, aí eu fui. Não tive apoio, o pessoal tudo era muito contrário, porque a gente tinha as granjas aqui para cuidar... Os próprios irmãos achava que não ia dar em nada mesmo, não apoiaram, aí você fica naquilo lá, né?
Já não tem o apoio dentro de casa. Também tem a mulher que também é recém-casada, pouco tempo de casado para cuidar... os sogros tudo contra, né? Você indo lá sem receber, aí você fala: “Ah, eu vou encarar isso aí nada... Larga a mão!”. Aí desisti. Joguei só uma temporada, saí fora, não quis jogar mais.
ANDRIOLLI
Mas você tinha um sonho de ser jogador de futebol?
SONORA TIO DIMÁ
Ah, queria. Queria. Queria jogar muito, só que eu já era velho, né? Já tinha 26 anos nessa época que eu fui.Se eu tivesse começado mais antes, às vezes eu tinha insistido mais, né?
NARRADOR
Mas será possível impedir esse ciclo? Impedir que a roda continue a girar para o mesmo lugar?
Trilha: Piper Ezz - Lost in your arms
ANDRIOLLI
Thales, além de um contraponto interessante a mim nesse programa, né? Você também tem uma outra distinção importante de mim, que é: você não é só filho, né? Você também é pai. E eu não.
SONORA THALES
Então, como eu tava comentando com você antes aqui, ninguém prepara você para ser pai. Você não tem curso, não tem livro. Quer dizer, tem um monte de manual, mas as experiências são individuais. Então, assim, tipo, eu não sei... Na verdade, eu não sei.
Meu filho mais velho tem 15 anos, o mais novo 10 e eu não sei se eu tô fazendo certo até agora. Você tá sempre com dúvida. Você nunca tem certeza. Você sempre acha que tem alguma coisa errada, né?
ANDRIOLLI
Você tinha alguma expectativa, assim, quando nasceu seu filho e você fala assim: “Pô, eu queria que ele fosse assim”. Ou eu não queria que ele fosse assim?
SONORA THALES
Acho que a única não a única expectativa que eu tinha era que eles não fossem como eu. O resto...
ANDRIOLLI
Como assim? Como é você?
SONORA THALES
Como eu sou? Eu sou uma pessoa ansiosa, um pouco displicente, bagunceira... Eu tenho defeitos que eu não queria que eles estivessem, porque eu sei o quanto esses defeitos me atrapalharam ao longo da minha vida. Eu sempre fui meio indolente, meio preguiçoso, meio do deixar as coisas para depois... Isso ferra qualquer um, né? Você acaba se dando mal. E assim, algumas coisas eu não passei para eles, nesse sentido. Eu não ensinei.
Mesmo eu sendo um exemplo ruim, eu nunca tive expectativas de nenhum tipo em relação a eles. E não é demagogia: teve uma vez que a gente tava na escola, era escola do mais velho e era uma reunião de pais. E o coordenador que tava comandando a reunião pediu pra gente desenhar num papel o que a gente queria que os nossos filhos fossem, o que a gente gostaria de ver nos nossos filhos quando eles crescessem.
- Som de lápis
SONORA THALES
Aí teve gente que desejava filho médico, gente que desenhou filho advogado, teve uma mulher que desenhou uma filha vestida de noiva... E eu desenhei um cara sorrindo. E eu fui um dos últimos. Aquela cena ridícula, todo mundo deve ter falado: “Nossa, que pai babaca”... Porque, quando chegou a minha vez, eu falei: “Cara, eu não tenho expectativa nenhuma, eu só quero que ele seja feliz”.
Aí ficou todo mundo com uma cara meio assim para mim... Mas porra, eu não tenho, não tenho expectativa. Eu nunca tive expectativa do que eles vão fazer, do que eles querem, nem de orientação sexual, nem de nada, porque é a vida deles, não minha. Eu mal consigo lidar com a minha vida, com as minhas expectativas, imagina lidar com a expectativa dos outros, assim…
- Som de torcida
NARRADOR
Como é interessante ver essas duas paternidades tão diferentes. Mais interessante ainda é ver que em ambos os casos sempre vai faltar alguma coisa. Às vezes pode ser afeto, às vezes confiança, às vezes é algo que a gente nem consegue nomear.
Ao longo dessa temporada, eu tentei seguir os rastros da memória através do futebol, conversando com amigos e familiares, mas algumas perguntas só podem ser respondidas por quem esteve do outro lado do campo.
Então, na próxima semana, no último episódio de Falta, eu e Thales vamos finalmente conversar com Paulo Andrioli e, talvez, descobrir que, por trás de toda ausência, existe uma conversa esperando para acontecer.
TORCIDA OPERARIANA
Eu sou operariano. Meu time é sempre o favorito do gramado. Entrar no campo faz vibrar a multidão. Se o adversário bobear é goleado. Com o Operário outro time não tem chance. Se der revante, muitas bolas vão na rede. Nossa defesa é o tapume que protege. Nosso goleiro é uma espécie de parede! Operário Futebol Clube é estimado, é vibrante, é um colosso. No meu estado é um time respeitado. Ele é o bom, é o campeão de Mato Grosso…
- Som de apito
NARRADOR
Falta é uma produção original do Laboratório de Podcasts Narrativos da UERJ, o Lunar. A apresentação e edição foram feitas por mim, Andriolli Costa. Bruna Sebollela fez a produção do programa. Os alunos Carlos Geremias, Daniela Machado, Pedro Rubim e Pedro Fávera trabalharam na divulgação.
Agradecimentos especiais a Thales Martins e a todos os membros da minha família que aceitaram conversar conosco para este programa. Saiba mais sobre estes e outros projetos do Lunar acessando podcastnarrativo.com.br.
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